A CARNE QUE SOBRA

O GROTESCO COMO OPERAÇÃO HETEROLÓGICA NA OBRA DE SIBYLLE RUPPERT

Autores

DOI:

https://doi.org/10.33871/sensorium.2025.12.11118

Palavras-chave:

Grotesco, Heterologia, Informe, Excesso, Transgressão

Resumo

Este artigo investiga a obra da artista alemã Sibylle Ruppert, destacando-a como uma manifestação do grotesco que desafia e ultrapassa as classificações artísticas tradicionais por meio do obsceno, da violência e do absurdo. A partir de uma distinção com a biomecânica de H. R. Giger, o estudo propõe que o grotesco em Sibylle Ruppert não se limita à fusão entre orgânico e máquina, mas opera como um processo de desestabilização alinhado à heterologia de Georges Bataille. A análise articula o grotesco com os conceitos de informe e heterologia, com o propósito de demonstrar como a artista dissolve as fronteiras corporais para expor uma materialidade obscena e irredutível, abordada como “carne-em-excesso”. Por meio da análise de seus desenhos, especialmente as séries para o Marquês de Sade e Lautréamont, e da comparação com a lógica do “corpo anagramático” de Hans Bellmer, o artigo investiga como Sibylle Ruppert utiliza a fragmentação, a montagem e a metamorfose para criar um universo onde não há síntese possível. Conclui-se que a obra da artista alemã mobiliza o grotesco não apenas como excesso formal, mas como uma operação heterológica que encena o colapso da forma e da razão, transformando a fantasia onírica associada ao grotesco em uma vertigem de pesadelo, onde a única constante é a tensão irresolvível entre forças opostas.

Biografia do Autor

  • Alexandre Rodrigues da Costa, Universidade do Estado de Minas Gerais

    Professor Doutor das disiciplinas de História da Arte, Teoria e Crí­tica de Arte, do departamento de Disciplinas Teóricas e Psicopedagógicas da Escola Guignard (Universidade do Estado de Minas Gerais).

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Publicado

2025-10-04

Edição

Seção

Artigos

Como Citar

da Costa, A. R. (2025). A CARNE QUE SOBRA: O GROTESCO COMO OPERAÇÃO HETEROLÓGICA NA OBRA DE SIBYLLE RUPPERT. Art&Sensorium, 12(01), 1-22. https://doi.org/10.33871/sensorium.2025.12.11118

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